O Ato Falho de Freud – E como ele impacta sua comunicação

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Publicado em 15 de setembro de 2025

Cornelio Zolin

A Ilusão do controle total sobre o que falamos

Nesse mito, acreditamos que tudo o que falamos pode ser controlado. Afinal de contas, se não controlamos o que falamos, deve ter algo errado conosco, certo? 

Você sabia que na maioria das vezes quando você está conversando você não tem controle sobre tudo o que você esta dizendo? É possível que você ache isso um tanto estranho e é provável que você comece a notar isso com mais frequência a partir de agora.

Você já ouviu o termo deslize Freudiano, ou Ato Falho? Esse termo, também referido como parapraxia, é um erro verbal ou de memória que é considerado ligado à mente inconsciente. De maneira prática, é quando você, sem querer, deixa escapar algo diferente do que originalmente pretendia dizer. Exemplos disso incluem uma pessoa que chama seu parceiro pelo nome de um ex, que diz uma palavra incorreta ou entende mal uma palavra falada ou escrita.

Pense na situação onde o ex-presidente Americano George W. Bush, em uma entrevista, disse que condenava a guerra no Iraque, em vez de dizer Ucrânia, afirmando que foi uma invasão brutal e totalmente injustificada.  Embora Freud não esteja disponível para comentar, essa declaração certamente sugere que ele ainda tem muito em que pensar sobre o “motivo” para a invasão e a própria guerra em si. Apenas para recordar, o “motivo” alegado para essa invasão foi o da presença de armas de destruição em massa no Iraque.

Outro exemplo é o do, à época, ex-governador de São Paulo e atual vice-presidente do Brasil José Serra, que desejou boas festas com a seguinte mensagem: “Feliz Natal a você que me acompanha. Espero que todos os meus desejos se realizem. E o primeiro deles é continuar seu amigo por muitos anos”.

Tanto Bush quanto Serra pensaram em uma coisa, mas disseram outra. Bush quis se referir a guerra da Ucrânia e Serra provavelmente queria dizer que esperava que os seus sonhos, não os dele, se realizem.   

E por que estamos suscetíveis a esse deslize Freudiano? Quando você relaxa, seu subconsciente se deixa levar e antes que você perceba você revelou seus pensamentos mais profundos. Em outras palavras, boa parte dos assuntos secretos em uma sala de reunião são aperitivos em um bar após uma garrafa de cerveja ou um drinque.

Outro exemplo foi o de Tony Blair, ex-primeiro-ministro do Reino Unido, sentado confortavelmente, sendo entrevistado por Fern Britton, que respondeu: “Eu teria invadido o Iraque de qualquer maneira”. Lembra-se das armas de destruição em massa do Iraque, aparentemente elas eram o que menos importava.

Existem muitos outros exemplos sobre essas situações onde falamos algo sem ter a real intensão de dizer o que foi dito. É provável que você já tenha tido um ato falho, ou que tenha presenciado alguém nessa situação.

Agora que você sabe que não temos total controle sobre o que sai da nossa boca, você já pode chegar a conclusão de que se você conseguir manter alguém falando, há uma boa chance dela contar mais do que realmente desejava. Isso nos leva ao terceiro mito da comunicação…

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Publicado em 15 de setembro de 2025

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