Linguagem Corporal – Mitos da Comunicação

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Publicado em 1 de agosto de 2025

Cornelio Zolin

O conteúdo que você será exposto irá desmistificar alguns dos mitos mais comuns e apresentar uma nova perspectiva sobre como você realmente pode melhorar suas habilidades de comunicação.

Uma palavra de atenção: mantenha sua mente sempre curiosa e tente se desapegar de alguns gurus da “comunicação”, responsáveis, inclusive, por propagarem esses mitos.

Mito 1 – O Mito da Linguagem Corporal:

Um dos maiores mitos da comunicação é a ideia de que nela a linguagem corporal representa 55%, o tom de voz 38% e as palavras os insignificantes 7%. Isso implicaria dizer que 93% de nossa comunicação é não-verbal.  É provável que você tenha visto alguém falando sobre isso, com valores iguais ou similares, em algum treinamento sobre comunicação e liderança ou até mesmo em uma entrevista na TV.

O interessante é que quando você pergunta para os especialistas que apresentam estes números, onde você poderia encontrar mais informações sobre a pesquisa que os gerou, o mais provável é que você presencie um olhar de dúvida e até mesmo “espanto”. Já fiz isso algumas vezes e as respostas que recebi variam de referências vagas sobre uma gama de universidades famosas ou um especialista sobre comunicação.  

Você deve estar se perguntando neste momento: então de onde veio esse mito? Bom, vamos lançar um pouco de luz sobre isso. A origem do mito dos 7%, 38% e 55% da comunicação tem suas raízes nos estudos conduzidos pelo psicólogo Albert Mehrabian nos anos 1960, que foram amplamente mal interpretados. Para registro, os livros são intitulados “Silent Messages” (Mensagens silenciosas em tradução livre) de 1971 e “Nonverbal Communication” (Comunicação não verbal em tradução livre) de 1972.

O que muitas pessoas não sabem é que esses números se aplicam apenas a certas condições. Mehrabian estudou como as pessoas interpretam sentimentos de “gostar” ou “não gostar” em situações onde a comunicação verbal e não-verbal são conflitantes. Em outras palavras, ele examinou o impacto de mensagens incongruentes, não a comunicação como um todo.

Por exemplo, imagine alguém dizendo “talvez” com um tom de voz sarcástico e uma expressão facial de desdém. A pesquisa de Mehrabian revelou que, nesse tipo de situação, o tom de voz e a linguagem corporal têm um peso significativo na interpretação da mensagem. Mas isso não significa que 93% de toda comunicação é não-verbal em todos os contextos. O próprio Mehrabian afirma que há muito poucas coisas que podem ser comunicadas não verbalmente.

Apesar de vários especialistas em comunicação propagarem esse mito, é importante, para o seu bem e o da comunicação, que essa crença seja desconstruída. Acreditar que quase toda comunicação é não-verbal pode levar você a negligenciar o desenvolvimento de habilidades verbais e a clareza da mensagem. Ainda, se acreditarmos que as palavras representam apenas 7% da comunicação, poderíamos subestimar a importância da escolha cuidadosa das palavras, especialmente em situações críticas como negociações de reféns e crises.

Ou ainda, acreditar que 93% de toda comunicação é não-verbal poderia levar a conclusão que, de forma quase mágica,  basta eu viajar para outro país e observar a linguagem corporal das pessoas para aprender uma nova língua. Certo?

Se continuarmos a divulgar informações erradas, como o mito dos 7%, 38% e 55% da comunicação, prestaremos um grave desserviço para a compreensão sobre comunicação e ao público em geral. Poderíamos prestar um grande serviço ajudando o público a perceber que as palavras que usamos são extremamente importantes para determinar a eficácia e longevidade dos relacionamentos, a auto-estima pessoal e toda uma série de outros fenômenos fisiológicos e psicológicos.

As palavras e a linguagem são provavelmente os principais fatores de motivação para os seres humanos e podem ser aprimorados por tonalidade e linguagem corporal adequadas e congruentes. Eles também podem ser diminuídos por incongruências que muitas vezes aparecem como confusão e perplexidade em situações de relacionamento. Por exemplo, pense na frequência com que algumas mulheres espancadas acreditaram desesperadamente nas palavras de seus agressores, apesar das esmagadoras incongruências de comportamento. “Ele disse que realmente iria mudar desta vez.”

Faça o seguinte teste, pense em suas próprias experiências pessoais em relacionamentos íntimos que deram errado. Você nunca esperou por mudanças que transformariam a comunicação de incongruente para congruente?

Quem de nós já não sofreu por esperar que a nossa convicção, muitas vezes imprecisa das ações dos outros, operasse um milagre que tornaria tudo “maravilhoso” novamente como pensávamos que costumava ser?

E qual foi o efeito total das palavras faladas naqueles momentos? Você imagina que realmente elas tiveram apenas 7% de influência em suas esperanças e desejos? Imagino que isso seja pouco provável. Considerando o impacto emocional de experiências e crenças anteriores, nossas memórias não estão prestes a, logicamente, reduzir as palavras de um ente querido (ou ex-ente querido) a um papel tão insignificante como se em um passe de mágicas.

Para desmistificar completamente o mito da linguagem corporal, é vital entender que a comunicação é um processo complexo que envolve vários canais simultaneamente. Nenhum elemento deve ser negligenciado em detrimento de outro. Desenvolver uma comunicação eficaz requer prática e atenção tanto à linguagem verbal quanto à não-verbal, integrando todas as partes para criar um compreensão clara que possibilite a confecção de uma mensagem poderosa e transformadora.

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Publicado em 1 de agosto de 2025

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